8 novembre 2026
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Plestia Alaqad, de Gaza a Beirute

Com a tradução em árabe de seu primeiro livro, Plestia Alaqad continua seu testemunho sobre Gaza no Líbano. A jornalista palestina, recebida na Universidade Americana de Beirute em 2024, graças à bolsa de estudos Shireen Abu Akleh, conta ao povo e aos laços que os unem. Em entrevista publicada em 8 de novembro, discute os limites da visibilidade oferecida pelas redes sociais. Seu relato pessoal, publicado em inglês em 2025, está agora disponível em árabe em Dar Hashem, numa tradução de Zaynab Diya.

Vue d’archives du campus de l’AUB, illustration géographique. Couverture éditoriale Libnanews.
Vue d’archives du campus de l’AUB, illustration géographique. Cette photographie ne montre pas Plestia Alaqad. Photo et habillage sous CC BY-SA 2.0 : https://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0/. © marviikad / Flickr, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0
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Plestia Alaqad continua com o livro a obra de testemunho que o tornou conhecido durante a guerra em Gaza. A sua história,Os olhos de Gaza: um diário de resiliênciaagora tem uma tradução árabe publicada no Líbano por Dar Hashem. Numa entrevista publicada na imprensa palestiniana em 8 de Novembro, o jornalista narra esta abordagem. Ele quer dizer aos habitantes, seus laços e aspirações, além das imagens da destruição. Beirute, onde se juntou à Universidade Americana para um mestrado, ocupa um lugar neste curso.

O livro não é uma crônica exaustiva da guerra. Coletou fragmentos de jornal de sua experiência pessoal durante as primeiras semanas do conflito. A passagem para o árabe dá acesso a esta história a outro leitor. Alarga um projecto em inglês, uma língua de numerosos vídeos através dos quais a jovem palestiniana se dirigiu ao público internacional.

Plestia Alaqad conta as vidas por trás das imagens

A entrevista de 8 de novembro permite especificar o que ela deseja transmitir. Segundo ela, as imagens do bombardeio tornaram Gaza conhecida sem necessariamente tornar conhecidos aqueles que ali viviam. Enfatiza as memórias, as ambições e a vida quotidiana dos palestinianos. As suas observações referem-se a esta lacuna entre uma população visível no desastre e pessoas que ainda são desconhecidas.

Ela evoca assim os laços estabelecidos durante sua visita ao Hospital Al-Quds. Uma família que se encontrou na cena do crime a recebeu. Recorda também a assistência mútua entre vizinhos, mesmo nas necessidades alimentares mais comuns. Essas memórias ocupam um lugar central em seu relato de Gaza. Descrevem relações específicas, em vez de uma população reduzida no registo da vítima.

O jornalista não apresenta esses gestos como um apagamento do sofrimento. Eles fazem parte da experiência que ela pretende manter. Deslocamento, medo e perda coexistem com formas de solidariedade. É esta proximidade com o povo que alimenta o seu testemunho, inclusive após a sua partida do território palestiniano.

Uma história em inglês, depois uma edição em árabe no Líbano

Edição em língua portuguesa deOs olhos de Gazaapareceu no Macmillan’s em 17 de abril de 2025. Sua apresentação editorial descreve uma sucessão de trechos de jornais. O livro segue uma mulher de 21 anos enfrentando a guerra, atenta às emoções e reações de sua comitiva. Essa construção distingue a narrativa pessoal de um levantamento retrospectivo de múltiplas fontes.

A edição em árabe tem o títuloOuyoun Gaza: Yawmiyyat Sumoud« Os olhos de Gaza: Jornal de Resiliência ». Dar Hashem Eu publiquei no Líbano em 2026. A tradução em inglês remonta a Zaynab Diya, cujo nome aparece na apresentação do livro e na cobertura midiática de sua publicação.

O catálogo de direitos estrangeiros já mencionou Dar Hashem entre editores que adquiriram direitos de tradução. A livraria Antoine hoje se refere ao livro em árabe sob o número ISBN 9781918373097. A história junta-se assim ao catálogo de uma editora libanesa após a sua circulação para leitores de língua inglesa. Esta tradução fornece acesso direto ao texto para leitores de língua árabe.

A mudança de linguagem não muda a natureza do testemunho. Plestia Alaqad escreve a partir de uma experiência que ela viveu e memórias que ela está vestindo. Na entrevista, ela simplesmente defende esse status como uma memória. Ela deixa os leitores apreciarem sua escrita e como ela expressa seus sentimentos. Não exige uma palavra que resume todas as experiências palestinianas.

Beirute, uma etapa universitária após o exílio

O link com Beirute precede a publicação do livro. Em 28 de agosto de 2024, a Universidade Americana de Beirute anunciou sua chegada para um mestrado em estudos de mídia. Ela veio da Austrália, onde sua família encontrou refúgio depois de deixar Gaza em novembro de 2023. Ela já havia se formado na Universidade do Mediterrâneo Oriental em Nova Mídia e Jornalismo em Chipre em 2022.

Seu currículo na AUB é premiado com o Shireen Abu Akleh Memorial Scholarship. A universidade foi fundada em maio de 2022 com a Fundação Yafa. Ela apoia mulheres palestinas matriculadas em um mestrado em estudos de mídia. A formação combina assim uma oportunidade concreta para prosseguir estudos em memória de um jornalista palestiniano.

Ao chegar, Plestia Alaqad explicou que procurava proximidade social em Beirute, que o lembrava de Gaza. A entrevista publicada neste domingo apresenta-a sempre envolvida em seu mestrado. Sua formação acadêmica e sua atividade d’autress se encontram em torno do mesmo assunto: como dizer uma sociedade para um público externo.

Redes sociais, um público sem garantia de ação

Em suas respostas ao diário palestino, ela se recusou a permitir que o rótulo influente para apagar seu trabalho como jornalista. As redes sociais deram acesso directo às vozes palestinianas, explica. As pessoas filmadas podiam ser ouvidas sem depender apenas de uma narrativa externa. As trocas diárias com seu público tornaram visíveis as experiências individuais.

No entanto, destaca as limitações dessa visibilidade. No início da guerra, ela pensou que a disseminação das imagens provocaria uma reação capaz de parar a violência. Sua observação agora é mais reservada. A existência de uma ampla audiência não é suficiente para produzir decisões políticas. Por conseguinte, solicita que se analisem igualmente os actos que se seguem ao acesso à informação.

Esta reserva ilumina a passagem de vídeos para o livro. O depoimento muda seu apoio sem prometer transformar a situação sozinha. O livro mantém uma palavra e memórias além da sucessão de publicações online. Ao mesmo tempo, a jornalista continua suas entrevistas e artigos sobre Gazanos.

Continuar a trabalhar de fora

Plestia Alaqad também descreve formas mais concretas de ajuda. Ela diz que usa sua conta no Instagram para divulgar as atividades dos palestinos de Gaza que vivem no Egito. Alguns criaram o seu trabalho lá depois de partirem. Dar-lhes visibilidade é, explica ela, uma forma de usar a audiência à sua disposição.

Reconhece o âmbito limitado destas iniciativas individuais e apela aos governos e às instituições internacionais para que actuem. Para seu próprio trabalho, ela manteve um objetivo: transmitir um conhecimento de Gaza que não se limitava aos mortos e às ruínas. A edição árabe de seu primeiro livro agora circula nas livrarias libanesas, enquanto ela continua este trabalho de narrativa à distância.

Foto do campus AUB: marviikad / Flickr, via Wikimedia Commons. Esta vista não mostra Plestia Alaqad. Toda a fotografia preservada, montagem Libnanews. Foto e edição licenciada CC BY-SA 2.0: https://creativecommons.org/licensas/by-sa/2.0/.

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